Nobre Norte


Recentemente descobri um blog bem curioso: parece que um corretor cansado de ter o discurso sendo moldado a cada lançamento resolveu dizer a verdade (ou a sua opinião) sobre cada empreendimento novo do Rio de Janeiro.

VerdadeImovel.blogspot.com.br é o endereço.

Vejam o que ele disse por exemplo do Nobre, último lançamento da RJZ Cyrela no Cachambi:

“Como falamos em algumas oportunidades, a Zona Norte está sendo a opção natural do mercado em 2014. Já postamos aqui o Fiore (lançamento do fim de semana passado), o Gran, o Aquarela Carioca e o Faces. Todos os que foram lançados apresentaram bons resultados de venda… na mesma linha, houve ano passado o sucesso do Dom, do Elo, do Stadio e do Carioca Residencial… é, gente, a Zona Norte está bombando…

Aproveitando essa onda positiva da região, a RJZ Cyrela e a Monteiro Aranha trazem o Nobre, cujo nome traduz muito bem o ponto! Se há um lugar que se destaca na Zona Norte, esse lugar é a vizinhança do Norteshopping (como o Dom atestou bem ano passado).

Porém o Nobre não fica na vizinhança do Norteshopping, fica parede-parede com ele (na verdade, com a expansão que será lançada esse ano).  O que sem dúvida alguma, é a melhor localização entre todos os produtos citados anteriormente. Sem favela por perto, numa rua movimentada, próximo de metrô, de mercados e da Linha Amarela… é uma questão indiscutível.

O produto é bem bonitinho apesar de não ter nenhum baita diferencial. Plantas enxutas de 2 quartos e 3 quartos com varanda e suíte… no lazer, há sauna, piscina de 25m, miniquadra (para crianças, diga-se), salão de festas e churrasqueira, entre os principais itens. Nada no nível que se encontra pela Barra da Tijuca, mas bem razoável.

No projeto, há algumas poucas unidades no térreo que possuem uma área de jardim exclusivo e murado, quase como uma casa com quintal. Bem diferente dos gardens do Recreio “protegidos’ por uma cerca viva de 1,4m. Quem pensa em morar, e tem um dinheirinho a mais, vale olhar com carinho (até porque o projeto não tem cobertura).

Pensando na movimentação da Dom Helder, o PUC/1º andar com apartamento fica na 3ª laje, garantindo privacidade da área de lazer e dos moradores. Os carros circulam apenas até a segunda laje  (há um subsolo também), evitando o risco de crianças e carros conviverem no mesmo ambiente. Além disso, garante vagas cobertas para 70% dos moradores (o que não é bem o padrão na região)

Evite as prumadas voltadas para a Av Dom Helder Camara, pois o barulho deve ser bem pesado.

Produto bem legal para investidores e usuários finais… é fácil acreditar que depois que a expansão do Norteshopping subir, seu valor agregado subirá ainda mais. Além disso, todos os benefícios que já citamos em relação ao ponto garantem uma “demanda eterna” para o produto.

O preço veio um pouco acima do que o mercado esperava. Porém, quem teve oportunidade de visitar o stand lotado nos 2 fins de semana deve ter a mesma impressão que eu: o resultado de vendas vai ser bom.”

 

Bom, nosso amigo blogueiro está certo. As vendas já atingiram 80% do volume lançado.

Mais um sucesso que é retorno garantido para o investidor, especialmente porque de acordo com dados da construtora, a enorme maioria dos adquirentes até agora é de usuários finais.

 

 

Um novo cenário no Gasômetro


Referência histórica e arquitetônica da cidade, o Gasômetro, em São Cristóvão, será em breve apenas lembrança e apelido do Viaduto Capitão Sérgio de Carvalho, que fica ao lado. No rastro do programa de revitalização da Zona Portuária, o novo eixo de desenvolvimento da cidade desenha um novo destino para a área: a partir de segunda-feira, parte do terreno começa a ser desocupada pelos funcionários da CEG, para a construção de um conjunto de empreendimentos imobiliários, com prédios residenciais e comerciais, além de shoppings e hotéis.

O projeto, ainda na fase de detalhamento, será desenvolvido pela construtora RJZ Cyrela, que assinou um contrato com o Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha, administrado pela Caixa Econômica Federal (CEF), proprietária do terreno. Os envolvidos na negociação da área ainda não revelam cifras.

Segundo a prefeitura, o terreno — de 116 mil metros quadrados, situado próximo à Avenida Francisco Bicalho — é o de maior potencial construtivo na região. Ali poderão ser erguidos prédios de até 50 andares. A legislação, no entanto, prevê que apenas 50% do terreno poderá ser ocupado por edificações. O novo empreendimento, na Avenida Pedro II, próximo à Rodoviária Novo Rio, está incluído no Projeto Porto Maravilha, de revitalização da região.

Na vizinhança, hoje o que se veem são pouquíssimas residências, algumas lojas de venda de peças de automóveis e um quartel do Exército. O terreno foi comprado pela prefeitura em 2012, por R$ 220 milhões, e revendido à CEF pelo mesmo valor, numa negociação prevista nas operações da Companhia Municipal de Desenvolvimento Urbano do Porto (Cdurp).

Segundo a construtora, a área tem um potencial construtivo de aproximadamente 450 mil metros quadrados, e o projeto será desenvolvido em várias fases. Só para se ter uma ideia do que é possível construir ali, o bairro Cidade Jardim, que ainda está sendo feito pela RJZ Cyrela, na Barra da Tijuca, tem 512 mil metros quadrados construídos. No empreendimento da Barra, há quatro condomínios residenciais (com 4.078 unidades), além de escolas, áreas de lazer com quadras esportivas, praças e comércio.

— Ainda estamos fazendo contatos com todos os órgãos envolvidos, para liberação do empreendimento. Será uma investimento a longo prazo. Teremos, por exemplo, que analisar todos os impactos e, inclusive, calcular o período necessário para descontaminação do terreno. — explica Rogerio Zylbersztajn, vice-presidente da RJZ Cyrela, que ficou seis meses negociando o projeto com a Caixa Econômica Federal.

Segundo a gerente-executiva de Fundos Para o Setor Imobiliário da CEF, Laiza Fabiola Martins Santa Rosa, o projeto deverá ser executado gradativamente, nos próximos dez anos. A previsão, diz Laiza, é que as obras comecem em meados de 2015.

— Estamos fazendo o estudo físico do terreno e analisando a melhor ideia, num trabalho conjunto com a construtora. Do total do terreno, 99 mil metros quadrados serão usados nesse empreendimento. Poderemos ter shopping, complexos imobiliários com residência e comércio e o que mais o mercado demandar — disse a gerente-executiva.

De acordo com a CEF, o terreno foi cedido em permuta à construtora, que terá que pagar ao fundo um percentual da venda de cada unidade do empreendimento. O valor não foi revelado pelo fundo administrado pela Caixa Econômica.

— A desocupação da área começou a ser feita pela CEG em 2013. A empresa, no entanto, continuará ocupando uma pequena fração do terreno — disse a gerente da CEF.

A partir de segunda-feira, cerca de 300 funcionários das áreas corporativas da CEG começarão a deixar as salas da sede da empresa em São Cristóvão, para ocupar três andares do Rio Office Tower, na Avenida Presidente Vargas, no Centro. Somente funcionários das áreas operativas, cerca de 400, permanecerão na antiga sede, numa área de 13.700 metros quadrados — pouco mais de 10% do terreno.

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/rio/um-novo-cenario-no-gasometro-13627338.html#ixzz3AmjhfJPp

As Cassandras e a bolha imobiliária


Ricardo Amorim, sempre super coerente divulgou esse artigo na Revista IstoÉ. Vejam que interessante!

Em 2007, quando os preços dos imóveis começaram a cair nos EUA, surgiram as primeiras Cassandras vaticinando que em breve o destino brasileiro seria o mesmo. A lógica era simples: também aqui os preços já tinham subido muito, a expansão do crédito imobiliário tinha sido grande e as construtoras construíam como nunca.

 

Lógica simples, porém errada. Todos os pontos eram verdadeiros, mas ignoravam o fator determinante para quem pesava os prós e os contras da compra de um imóvel. Mesmo que o Brasil estivesse no processo de formação de uma bolha imobiliária, em que ponto deste processo estaríamos? Passados 7 anos, hoje ficou claro que apenas nos primeiros sopros.

 

Os preços dos imóveis, dependendo de localização e características, subiram entre 150% e 1000%. Portanto, teriam de cair entre 60% e 90% – o que é altamente improvável – apenas para voltar aos preços de 2007. Quem ouviu as Cassandras está esperando até hoje os preços caírem.

 

Isto não significa que uma bolha imobiliária não possa estourar no Brasil no futuro. Aliás, a Cassandra original, a da mitologia grega, estava correta em suas previsões de catástrofe e desgraça em Troia. O problema é que estar certo muito antes da hora leva a decisões erradas.

Precisar quando uma bolha imobiliária vai estourar é impossível, mas bolhas não estouram antes de estarem suficientemente cheias, o que torna possível termos uma idéia aproximada se estamos perto ou distantes do estouro. Por isso, desde 2007, publico anualmente artigos analisando a situação do mercado imobiliário, tentando responder se já haveria indícios de uma bolha próxima do estouro, ou se os preços continuariam a subir.

 

Em meu último artigo, publicado há um ano, assim como em todos os anteriores, concluí que não havia sinais de estouro iminente e que os preços continuariam a subir. De lá para cá, de acordo com o índice FIPE/ZAP, na média, o preço dos imóveis subiu 13,5% no Brasil.

 

E qual é a situação hoje? Os que acreditam que uma bolha imobiliária está prestes a estourar baseiam-se em três diagnósticos: excesso de construção, construtoras em dificuldades e preços exagerados.

 

Para analisar o atual ritmo de construção no Brasil, uso o nível de consumo anual per capita de cimento, que estimo estar em 350kg. Até hoje, nenhuma bolha imobiliária estourou com menos de 400 Kg per capita anual de consumo de cimento.

 

As dificuldades financeiras de algumas construtoras vêm da devolução de parte dos imóveis por inadimplência dos compradores – o que poderia contribuir para queda de preços – mas também de uma subavaliação dos custos de construção no passado, fator que está sendo corrigido, contribuindo para elevação de preços agora.

 

Mas os preços já não estão caros demais? Comparando com o passado ou com preços de imóveis nos EUA, parece que sim. No entanto, nem os preços históricos no Brasil nem o preço atual nos EUA são bons parâmetros de comparação.

 

Para uma comparação mais ampla, analisei preços de venda de imóveis de 90m2 em 509 cidades em todo o mundo, incluindo os 12 maiores mercados imobiliários brasileiros. Das 12 cidades brasileiras, 9 estão na metade mais cara do mundo, lideradas por Porto Alegre (35ª), Rio de Janeiro (42ª) e Florianópolis (44ª) e apenas 3 na metade mais barata: Campinas (319ª), Goiânia (320ª) e Fortaleza (417ª). Miami vem logo depois de Fortaleza, é a 418ª. Aliás, as 35 cidades mais baratas do mundo estão todas nos EUA e as 25 mais caras, todas em mercados emergentes, 20 delas na Ásia.

 

O mercado brasileiro como um todo está, sim, caro para padrões internacionais, mas não para parâmetros de mercados emergentes.

 

Minhas análises sugerem que aproximadamente 2/3 da alta de preços antes de um eventual estouro já aconteceu. Restaria, portanto, uma alta adicional de mais ou menos metade do que os preços já subiram.

 

Esta é uma média nacional, que inclui mercados onde os preços ainda estão baratos e podem subir mais do que a média e outros que já subiram demais. Brasília, por exemplo, que há um ano era a cidade mais cara do Brasil, já tem visto pequenas quedas de preços. Em um mercado que não subirá mais tanto nem de forma tão generalizada, a localização e os diferenciais de cada imóvel serão muito mais importantes.

 

E quando os preços finalmente caírem – todo preço de ativo cai um dia e não há razão para crer que com o mercado imobiliário brasileiro será diferente – quanto devem cair? A experiência internacional dá duas dicas. Primeiro, os preços dos imóveis que mais subirem serão os que mais cairão. Segundo, o tamanho da queda depende diretamente do volume de crédito imobiliário no momento do estouro da bolha e do crescimento percentual deste crédito desde que a expansão começou. Por ora, o primeiro sugeriria uma queda muito pequena por aqui, o segundo, uma enorme.

 

Seja cada vez mais criterioso em seus investimentos imobiliários, mas ainda é cedo para desesperar-se com o choro das Cassandras.

 

Ricardo Amorim

Economista, apresentador do programa Manhattan Connection da Globonews e presidente da Ricam Consultoria.

“Por ora, estouro de bolha imobiliária na China e suas consequências no Brasil deveria nos preocupar muito mais do que estouro de bolha imobiliária no Brasil”


Essa entrevista com o apresentador Ricardo Amorim, um

dos economistas mais importantes do mundo, faz até os

mais pessimistas refletirem: o Brasil tem força e fôlego, e

não há o que temer!

 

1- Em seu artigo publicado na revista IstoÉ de fevereiro, você disse que “O mercado imobiliário brasileiro, como um todo, está caro para padrões internacionais, mas não para parâmetros de mercados emergentes”. Neste sentido, mantém a posição que defende há alguns anos de que a probabilidade de uma bolha imobiliária estourar no Brasil é mínima?

 

O primeiro fator fundamental que precisa ficar claro é que há uma diferença sutil, mas muito importante entre haver uma probabilidade mínima de uma bolha imobiliária estourar no Brasil e haver uma probabilidade mínima de uma bolha imobiliária estourar em breve no Brasil. O que venho repetindo anualmente desde 2007 é que a probabilidade de estouro de uma bolha imobiliária a curto prazo era e ainda é mínima. Por a curto prazo, em cada um destes artigos, eu quis dizer ao longo do próximo ano, no máximo próximos dois ou três anos. Em outras palavras, eu não sei se uma bolha imobiliária vai estourar no Brasil em 20, 10 ou 5 anos e acho, sim, possível que isto possa acontecer. Aliás, é exatamente por isso, que anualmente atualizo meus estudos para verificar se as condições de mercado mudaram o suficiente para que minhas conclusões mudem, o que até aqui não aconteceu, mas pode muito bem acontecer no futuro.

Do ponto de vista de quem tem de tomar a decisão de comprar um imóvel hoje, tirando pouquíssimas exceções de bolhas enormes com quedas de preços colossais no estouro – o que dificilmente será o caso brasileiro – mesmo que uma bolha estoure daqui a 5, 10 ou 20 anos, a melhor decisão continua sendo comprar agora do que esperar a queda porque, como os preços devem continuar em alta antes de cair, até que a queda acontecer eles estarão muito mais altos do que hoje e mesmo após a queda continuarão mais altos do que hoje.

Este foi exatamente o foco do meu último artigo sobre o tema, As Cassandras e a bolha imobiliária.

Em 2007, quando os preços dos imóveis começaram a cair nos EUA, surgiram as primeiras Cassandras vaticinando que em breve o destino brasileiro seria o mesmo. A lógica era simples: também aqui os preços já tinham subido muito, a expansão do crédito imobiliário tinha sido grande e as construtoras construíam como nunca.

Lógica simples, porém errada. Todos os pontos eram verdadeiros, mas ignoravam o fator determinante para quem pesava os prós e os contras da compra de um imóvel. Mesmo que o Brasil estivesse no processo de formação de uma bolha imobiliária, em que ponto deste processo estaríamos? Passados 7 anos, hoje ficou claro que apenas nos primeiros sopros.

Os preços dos imóveis, dependendo de localização e características, subiram entre 150% e 1000%. Portanto, teriam de cair entre 60% e 90% – o que é altamente improvável – apenas para voltar aos preços de 2007. Quem ouviu as Cassandras está esperando até hoje os preços caírem.

Isto não significa que uma bolha imobiliária não possa estourar no Brasil no futuro. Aliás, a Cassandra original, a da mitologia grega, estava correta em suas previsões de catástrofe e desgraça em Troia. O problema é que estar certo muito antes da hora leva a decisões erradas.

Precisar quando uma bolha imobiliária vai estourar é impossível, mas bolhas não estouram antes de estarem suficientemente cheias, o que torna possível termos uma ideia aproximada se estamos perto ou distantes do estouro. Por isso, desde 2007, publico anualmente artigos analisando a situação do mercado imobiliário, tentando responder se já haveria indícios de uma bolha próxima do estouro, ou se os preços continuariam a subir.

O que os meus dados me mostram hoje é que, por um lado, há uma variação enorme de preços entre os maiores mercados imobiliários brasileiros. Por outro, entre 123 países que analisei, as cidades brasileiras, em média, colocam o Brasil apenas como o 46º país com mercado imobiliário mais caro do planeta. O ponto é que as comparações usuais são feitas com o mercado americano que, em função do estouro recente de uma bolha imobiliário é o hoje o 3º mercado imobiliário mais barato do mundo. Aliás, todas as 35 cidades mais baratas do mundo entre as 509 que eu analisei estão hoje nos EUA. Em resumo, a conclusão aqui não é que o Brasil está excepcionalmente caro, mas que os EUA estão excepcionalmente baratos.

 

 

2- Um dos índices que você usa na sua avaliação do mercado imobiliário é consumo anual per capita de cimento. Este índice estaria relacionado diretamente com o setor da construção e, portanto, do imóvel novo. Como você enxerga também a variação de preço nos imóveis usados?

 

Normalmente, a variação do preço do imóvel novo baliza a variação do preço dos usados, por isso, meu foco nos imóveis novos. Quando um novo lançamento sai por um preço mais alto ou mais baixo, ele acaba puxando respectivamente para cima ou baixo o preço dos imóveis usados.

Meu foco no consumo anual per capita de cimento é uma tentativa, ainda que com várias limitações de conseguir comparar mercados de países diferentes, em épocas diferentes, o que não é nada fácil. Enfim, está longe de ser a estatística ideal, mas é a melhor que consegui encontrar até hoje.

Para analisar o atual ritmo de construção no Brasil, uso o nível de consumo anual per capita de cimento, que estimo estar em 350 kg. Até hoje, nenhuma bolha imobiliária estourou com menos de 400 Kg per capita anual de consumo de cimento e algumas só estouraram com um ritmo de construção muito maior do que isso, como a sul-coreano que em 2003 só estourou com 1.550kg anuais de consumo anual per capita de cimento. Aliás, a China tem hoje um ritmo de construção parecido e a bolha continua a se inflar.

Portanto, no caso brasileiro, falta relativamente pouco para chegar a 400 kg anuais per capita de consumo de cimento, mas falta muito para chegar a mais de 1.500kg. Como esta estatística de consumo de cimento acaba incluindo cimento usado na construção de infraestrutura e os investimentos em infraestrutura nos países asiáticos são muito maiores do que no Brasil, a princípio, seria de se esperar que no Brasil chegaríamos apenas a níveis pouco superiores a 400Kg e não acima de 1.500kg, mas não dá para ter certeza.

Outra forma de confirmar a conclusão de que se alguém deve se preocupar com estouro de bolha imobiliária em breve são os chineses, não nós é que no ano passado, estima-se que forma construídos cerca de 400 mil imóveis no Brasil e 22 milhões na China. Em outras palavras, a população chinesa é menos de 7 vezes maior do que a brasileira, mas a China está construindo mais de 50 vezes mais imóveis. Aliás, a comparação de preços em relação à renda também leva a conclusões parecidas, com a China com o 13º mercado mais caro no mundo e o Brasil como o 46º.

Para ser franco, por ora, mesmo nós brasileiros deveríamos nos preocupar muito mais com estouro de bolha imobiliária na China do que no Brasil porque se uma bolha imobiliária estourar lá, certamente sentiremos os efeitos negativos nas economia brasileira e, talvez, no próprio mercado imobiliário brasileiro.

 

 

 

3- Você também apontou no mesmo artigo que dois terços das altas possíveis de preço antes de um eventual estouro já aconteceram. Restaria, ainda, uma terceira alta por vir. Acredita que esta alta aconteça já em 2014 ou que o ano será de estagnação?

 

Acredito que esta alta acontecerá ao longo dos próximos anos, incluindo 2014, mas há um ponto fundamental que tem de ficar claro. Esta estimativa de que cerca de 2/3 da alta já ocorreu e 1/3 ainda está para acontecer além de bastante imprecisa é uma média nacional, que inclui mercados onde os preços ainda estão baratos e podem subir mais do que a média e outros que já subiram demais. Brasília, por exemplo, que há um ano era a cidade mais cara do Brasil pelas minhas estimativas que comparam preço de imóveis de tamanho médio a renda mediana disponível em cada cidade, já tem visto pequenas quedas de preços. Em um mercado que não subirá mais tanto nem de forma tão generalizada, a localização e os diferenciais de cada imóvel serão muito mais importantes.

Para dar um exemplo, analisei preços de venda de imóveis de 90mem 509 cidades em todo o mundo, incluindo os 12 maiores mercados imobiliários brasileiros. Das 12 cidades brasileiras, 9 estão na metade mais cara do mundo, lideradas por Porto Alegre (35ª), Rio de Janeiro (42ª) e Florianópolis (44ª) e apenas 3 na metade mais barata: Campinas (319ª), Goiânia (320ª) e Fortaleza (417ª). Não é de se esperar que, para imóveis com estas características, as altas de preços em cada uma destas cidades daqui para a frente seja igual. Da mesma forma, não é de se esperar que as altas de preços que ainda teremos em outros segmentos do mercado imobiliário – comercial, residencial de luxo, etc… – também sejam as mesmas.

 

 

 

4- Ao seu ver, a desaceleração dos preços dos imóveis está relacionada a um menor crescimento da economia?

Recentemente, o ritmo de alta dos preços dos imóveis desacelerou-se primordialmente porque os preços já estão muito mais elevados do que estavam há alguns anos. Este é um processo natural e saudável.

Infelizmente, desde 2011, a economia brasileira tem menos do que a média dos países emergentes e em 2014 não deve ser diferente. Aliás, é provável que nosso crescimento em 2014 e 2015 seja inferior ao de 2013.

Nos últimos anos, o crescimento brasileiro baseou-se no crescimento da classe média e seu potencial de consumo. A expansão do consumo de massas em si é muito benéfica em termos econômicos e sociais. O problema é que ela não pode ser a única base de crescimento do país e tem sido. Se um país só estimula o consumo e não estimula a produção, acaba acontecendo um desequilíbrio entre forte crescimento da procura por produtos e serviços e crescimento menor da oferta destes produtos e serviços. O resultado é menor crescimento econômico, pressão inflacionária e piora da balança comercial devido a forte aumento das importações. Foi exatamente o que aconteceu no Brasil.

De 2004 a 2010, o PIB brasileiro cresceu a um ritmo de quase 5% a.a., 2,5 vezes a média dos 25 anos anteriores. Só foi possível por ajustes econômicos feitos antes, um forte crescimento na procura global por matérias primas que exportamos, e uma grande queda do custo de capital no mundo. Este modelo de desenvolvimento baseado na expansão da procura tanto externa quanto doméstica pelos nossos produtos e serviços está esgotado. Nos últimos 3 anos, voltamos à média histórica de crescimento do PIB de apenas 2% a.a.

Em novembro do ano passado, escrevi um artigo chamado Feliz 2014? Prevendo que a economia brasileira como um todo teria, na melhor das hipóteses, um 2014 medíocre. Na pior, estagnação. Sem uma nova crise externa, o PIB deve cresceria cerca de 2% e os juros subiriam para impedir que a inflação aumentasse, mas se uma desaceleração dos estímulos monetários nos EUA deflagrasse o estouro de bolhas de ativos pelo mundo, a recuperação da economia chinesa fosse abortada ou novas crises financeiras pipocassem na Europa ou nos países emergentes, nosso crescimento seria próximo de nulo. De lá para cá, as perspectivas para o crescimento brasileiro não melhoraram e hoje há sinais de que o crescimento em 2015 também estará comprometido por ajustes que se fazem necessário.

O ponto fundamental é que os preços dos imóveis têm continuado a subir bem no Brasil mesmo depois de 2011 quando nosso crescimento se desacelerou. Esta tendência não pode continuar para sempre, mas pode continuar por muito tempo, enquanto a expansão de crédito continuar a sustentar a venda de veículos. Neste sentido, é muito importante acompanhar o que acontece com a inflação porque se a inflação subir muito acima do teto do regime de metas inflacionárias (6,5% a.a.), o Banco Central terá de ser mais agressivo na elevação da taxa básica de juros, o que pode causar uma retração da oferta de crédito imobiliário e aí assim causar um ajuste mais generalizado dos preços de imóveis no país.

 

 

5- Sobre o índice do volume de crédito imobiliário disponível, no curto e no médio prazo, isso representaria ameaça real na sua avaliação, face às perspectivas da economia brasileira?

 

O volume total de crédito imobiliário em relação ao PIB indica o grau de endividamento de potenciais compradores de imóveis em relação a sua renda, indicando quando a capacidade de pagamento pode ficar limitada. Quanto maior o endividamento maior o risco de estouro de bolha e quando os preços finalmente caírem – todo preço de ativo cai um dia e não há razão para crer que com o mercado imobiliário brasileiro será diferente – ajuda a dar uma ideia de quanto devem cair? A experiência internacional dá duas dicas. Primeiro, os preços dos imóveis que mais subirem serão os que mais cairão. Segundo, o tamanho da queda depende diretamente do volume de crédito imobiliário no momento do estouro da bolha e do crescimento percentual deste crédito desde que a expansão começou. Por ora, o volume de crédito imobiliário atual  sugeriria uma probabilidade de queda ínfima e uma queda muito pequena por aqui se acontecesse uma reversão do mercado à medida que um volume total de crédito imobiliário pequeno sugere que pouca gente seria forçada a vender seus imóveis em caso de reversão das condições de mercado e dificuldades em honrar dívidas.  Por outro lado, como o crescimento do crédito imobiliário no Brasil nos últimos anos foi muito significativo, este indicador sugeriria, ao contrário, uma queda grande aqui se houvesse um estouro de bolha à medida que uma percentagem elevada das pessoas que se endividaram recentemente não conseguisse honrar suas dívidas e tivesse de colocar seus imóveis à venda ao mesmo tempo.

 

Ricardo Amorim é apresentador do Manhattan Connection da Globonews, colunista da revista IstoÉ, presidente da Ricam Consultoria, único brasileiro na lista dos melhores e mais importantes palestrantes mundiais do Speakers Corner e economista mais influente do Brasil segundo o Klout.com.Perfil no Twitter: @ricamconsult.

 

Novo padrão de luxo


Fico feliz de ver que o reconhecimento do bom trabalho.

Hoje, lendo reportagem do Circuito Décor do Ceará, tive a grata surpresa com esse depoimento de Francisco Campelo.

 

Vejam que bacana a reportagem:

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http://www.opovo.com.br/app/colunas/circuitodecor/2014/07/10/noticiascircuitodecor,3279651/riserva-golf-lanca-novo-padrao-de-luxo.shtml

http://www.circuitoa.com/destaques/2014/07/146,4724494/riserva-golf-lanca-novo-padrao-de-luxo.html

 

 

Há algum tempo um empreendimento não me surpreendia tanto quanto o Riserva Golf Vista Mare Residenziale ,um lançamento da RJZ Cyrela, que já está à venda no Rio de Janeiro e que apresento hoje. Destinado para quem deseja morar com requinte e sofisticação na cidade maravilhosa, o empreendimento é composto de quatro torres, de apartamentos que se assemelham a mansões suspensas. Cada torre tem sua própria piscina coberta e aquecida, além de sauna úmida, sala de massagem, sala de reunião e bicicletário. A grandiosidade do projeto causa impacto logo na entrada e a fachada de cada um dos quatro edifícios é inteiramente revestida de mármore e pele de vidro. No pórtico, os visitantes deixam seus carros no vallet e seguem até seu destino em charmosos carrinhos de golfe. Gostou? Então confira todos os detalhes nas próximas páginas.

 

CAMPELO EXPLICA

Para compor a arquitetura do local, a RJZ Cyrela foi buscar inspiração em Cingapura, mais especificamente, na loja da Louis Vuitton, que já apresentei aqui no Buchicho Casa no ano passado. O pórtico é um painel rendilhado, em composição com caixas de vidro que permeiam iluminação e ventilação, valorizada pela iluminação cenográfica criada pelo lighting designer Peter Gasper. O paisagismo leva a assinatura de Benedito Abbud, que abusou dos jardins e espelhos d’ água.

 

TUDO EXCLUSIVO

Todos os apartamentos contam com hall e elevadores sociais exclusivos, portas de entrada com dimensões especiais e piso e teto nivelados entre varanda e sala, permitindo total integração entre estes ambientes. Um dos imponentes lobbies do Riserva Golf Vista Mare Residenziale expõe uma criação, com edição limitada, do designer e joalheiro Antonio Bernardo. Cada peça tem 1,70m de comprimento. Os pendentes foram confeccionados em aço inox, inspirados no design de um brinco concebido pelo próprio joalheiro.

 

CAMPELO EXPLICA

Cada torre tem sua própria piscina coberta e aquecida, além de sauna úmida, sala de massagem, sala de reunião e bicicletário. Todos os apartamentos contam com hall e elevadores sociais exclusivos, portas de entrada com dimensões especiais e piso e teto nivelados entre varanda e sala, permitindo total integração entre estes ambientes. São unidades de quatro a seis suítes e metragens entre 266 e 648m², além de coberturas lineares que chegam a 1.308 m².

 

SERVIÇOS ESPECIAIS

O empreendimento ainda reúne características especiais para os amantes do golfe, como o “Caddie House”- serviço de limpeza e conservação de equipamentos, além de um simulador de golfe Pro Tee, modelo Master Edition, que traz 12 campos adicionais e sensores de bola tipo Ball Tracking + software. Tamanha grandiosidade é justificada por uma localização exclusiva e inédita em uma metrópole mundial (Rio de Janeiro): em frente ao futuro campo de golfe olímpico, ao lado da Reserva de Marapendi, ao mar da Barra da Tijuca e à lagoa. De altíssimo luxo, o empreendimento é o primeiro do Brasil pré-certificado com selo LEED Silver de sustentabilidade.

 

#reconhecimento #building #seloverde #garantiadequalidade

Como transferir financiamento de imóvel a outra pessoa?


Boa pergunta não é mesmo?!

Essa foi a dúvida do leitor do portal Exame que escreveu o seguinte:

“Adquiri um imóvel, mas como na época minha renda não era tão alta ele foi comprado no nome da minha mãe para que eu tivesse o crédito aprovado. Hoje já tenho uma renda razoável e gostaria de transferir o imóvel e o financiamentopara o meu nome. O que devo fazer? É preciso realizar uma nova transação de compra e venda ou existe outra possibilidade?

Resposta de Luis Paulo Serpa, diretor jurídico da Associação Brasileira dos Correspondentes de Empréstimo e Financiamento Imobiliário (Abracefi).

A questão contempla duas situações distintas. A primeira se refere à transferência da propriedade do imóvel objeto do financiamento e a segunda do financiamento propriamente dito.

Para que você seja considerada proprietária do imóvel deverá ser formalizada uma operação de compra e venda, com a incidência de imposto sobre a transmissão do imóvel (ITBI) e o registro da propriedade junto ao cartório de registro de imóveis.

A transferência do financiamento é possível desde que você obtenha aprovação de crédito junto à instituição financeira credora, mantendo as condições contratuais básicas do financiamento original.

Se considerarmos o cenário do Rio deveriam ser pagos os 2% sobre o valor do imóvel de ITBI para efetivar a transferência do bem. Em paralelo, com a instituição financeira, deve se avaliar o crédito do adquirente para ratificar que este é capaz de honrar com o financiamento do débito do imóvel.

Certo, pessoal!?!!? Fiquem a vontade para comentar.

 

Abraços